domingo, 15 de março de 2009

Pancas

A vida em repeat. Como as músicas que se gosta e que se ouve e volta a ouvir. Parar o momento no suave feliz. Pausa. Inicio outra vez. Em repeat. Again and again.
Viver assim, em suaves ondas que voltam e voltam e molham os pés infantis e trazem brisas primaveris perfumadas de jasmim.
“a culpa não é do mar
se o meu olhar se perder
a culpa é da vontade (…) “

sábado, 14 de março de 2009

Obrigada por terem estado

Não há volta a dar. São mesmo as melhores noites da minha vida.
Casa cheia. Cheia de tudo. Cheia de pão ( no sentido figurado e no literal, que o Pimpão Valentão traz sempre o melhor pão!) cheia de amizade, cheia de força a preencher vazios que por vezes essa estúpida da vida nos põe à frente.
O desafio era mesmo cummmmerrr, buberrrr e jogatinas mas esta última parte foi sendo sucessivamente adiada pelo bem que se estava nas conversas fluídas, nos risos fáceis, na banda sonora mental que repetia o que era o sentimento:
"mas se eu digo venha
você traz a lenha
pro meu fogo acender"
Foi-se ficando, foi-se ficando, o vinho a acompanhar, e devagarinho a manhã começou a aparecer. Ouviam-se os pássaros a acordar lá fora, ouvia-se a cidade a começar a mexer.
O sono começou a aninhar-se em cadeirinha, enroscou-se e tomou o seu lugar na almofada.
Quando arrumei a sala, ela ainda tinha suaves perfumes, ainda ecoavam os risos, ainda estava cheia!
São mesmo as melhores :)

sexta-feira, 13 de março de 2009

Figurinhas :)

Faço figuras ridículas. Pois é, faço e admito e com todo o gosto!
É normal verem-me aos saltos ou a dançar no meio da rua, a tentar encaixar ancas em escorregas, a dar cambalhotas em baloiços, treinar com tótós, usar bandoletas com orelhas de coelho, coisitas assim. Então no carro, é todos os dias. Quando virem uma miúda a pintalagar a cara dentro de um 307, numa IC17 perto de si, sou eu! Quando virem a mesma miúda dentro do mesmo carro a cantar e a dançar, enquanto conduz, como se não houvesse amanhã, também sou eu. Também é possível verem a mesma miúda a trocar de roupa, uma perna no volante para tirar sapatos e calças (e descobrir que a flexibilidade já não é a mesma e que se corre riscos de a perna não voltar ao sítio) enquanto o outro pezito tenta o dificil passo de dança entre acelarador, travão e embraiagem.
Figura ridícula é o meu nome do meio e não me importo, desde que me apeteça.
Hoje, com o corpo ainda em coma, mas um sorriso do tamanho do sol, lá iamos eu a a Diaba, rua fora, mão dada, aos saltos e a cantar o Mama Mia. Estavamos contentes, mas pelos vistos incomodamos um sr, já meio encarquilhado, que fez o lindo comentário "depois como querem que eles se saibam comportar quando crescem, andam nestas figuras com as Mães".
Ó pá, nós ainda nem um pontapé num caixote de lixo tinhamos dado!
Se me importei? Só que a Diaba tenha ouvido. Se parámos de o fazer? Claro que não!
E espero que a Diaba também nunca pare!
Estavámos de sorrisos nos lábios....

Depraved souls

"When you're in my arms
The world makes sense
There is no pretense
And you're crying
When you're by my side
There is no defense
I forget to sense
I'm dying (...)
We're damaged people
Praying for something
That doesn't come from somewhere deep inside us
Depraved souls
Trusting in the one thing
The one thing that this life has not denied us
When I feel the warmth
Of your very soul
I forget I'm cold
And crying
When your lips touch mine
And I lose control
I forget I'm old
And dying"

Depeche Mode- Damage People

quinta-feira, 12 de março de 2009

À volta do adro

Já Te pedi. Peço-Te todos os dias. Porque não me ouves? Porque não me ouves? Tenho-te pedido de todas as formas que são ditas como certas para Te pedir. Em orações. Em Pais Nossos, em “Seja feita a Tua vontade”.
Já Te pedi.
Ouve-me, o que na realidade quero pedir é que seja feita a minha vontade. Não a Tua, que não sei qual é. Porque se não for o que Te peço, sabe-me a injustiça. Sabe-me a brutalidade gratuita. Sabe-me a sangue. Porque ela não merece nada de mal. Porque ela é muito mais que um simples e estúpido erro. Porque o erro dela representa 0,000000000001% do que ela é e do que ela faz. Porque somos humanos e a única coisa que podemos ter certa é que erramos muito e continuamente. Mas não ela. Ela que segue o que Tu dizes, que ama os outros mais que a ela própria, que continuamente dá a outra face, que é Amor em forma de pessoa.
Onde está o Teu perdão? Onde está a Tua bondade? Onde está o pedido do teu filho “Perdoa-os, Pai, que eles não sabem o que fazem.”?
Ouve-me, por favor. Não é por mim, é por ela e Tu sabes bem que ela merece que o mundo seja sol e flores com leves aromas. Tu sabes. E se és Pai é teu dever protege-la.
Digo-te mais, é a oportunidade de te redimires perante mim. De me mostrares que estou errada nesta minha dúvida de Fé.
Também sei que não é assim que se pede, mas estou a falar como se falasse com o meu Pai. Estou a falar como filha. Estou a falar como filha que ama desesperadamente e que queria que Tu também lhe dissesses “Vai correr tudo bem”.
Por favor, estou a pedir.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ondas

Vieram como pequenas ondas verde, cheias de limos brilhantes. As recordações salgadas que troco por beijos doces, formato de bombons embrulhados em suaves pétalas de rosas vermelhas, trazidas na viagem a Paris, quando voltas para mim. Para me deitares na cama branca, manchada de vermelho em movimentos airosos de paixão e morangos. Cheiro de perfumes que ficam por baixo da pele e nos fazem rir, como ursinhos de peluches, com pequenos “amo-te” pendurados, escritos a cores e tatuados no cérebro.
Vieram como jardins cheios de flores, em que o sol queima as costas, quando de joelhos, enchemos a boca do mel que fazemos ao roçar as asas transparentes das fadas que acompanham a dança, numa qualquer mesa reservada para que o sabor se concentre num prato fundo para toda a fome que há no mundo.
Vieram, porque nunca saíram dos lábios que murmuram baixinho enquanto rodeiam o membro que se ergue ao calor, cobra enfeitiçada e dançante ao som ritmado do gemer que provocas.
Vieram porque nunca saíram dos cabelos que se entrelaçam em grandes cachecóis que se penduram no pescoço aberto ao peito e nos transforma num só boneco tricotado a quatro mãos.
Vieram porque as mãos se cruzam e percorrem todo o mapa de um corpo e depois outro e depois o mundo todo, num cego movimento que tudo abarca, porque nada há mais na galáxia.
Vieram como pequenas ondas que a maré fará recolher ao centro de tudo no oceano que somos.

Surpresa

Cheguei e o embrulho em cima da minha secretária entrou pelos olhos. Um segundo parada, sem perceber.
Uma caixa com um grande laço vermelho e ao lado um saco. Estranho. As mãos começam a tremer, ao mesmo tempo que o coração bate em descompasso, enquanto desfazem o laço. Lá dentro três rosas vermelhas. Cá fora um peluche e uma caixa de chocolates.
E eu choro de emoção. Muito. Muito.
Não sei quem foi, mas sim serve com um dia de atraso. Serve com todos os dias de atraso. Servirá sempre a surpresa e a emoção.
Obrigada a quem foi. Não consigo dizer mais nada.....

Lyrics

" I won't pretend that i intend to stop living
I wont pretend i'm good at forgiving
But I can't hate you
although I have tried

I still really really love you
Love is stronger than pride
I still really really love you (...)"

Sade- Love is stronger than pride

terça-feira, 10 de março de 2009

Ship Song

A culpa é do sol! Prontosssssss, tou assim hoje!

Lenços de namorados

Vinha eu a conduzir estrada fora, quando me apercebi de um estranho barulho no pára-brisas do carro. Era um folhetozito a publicitar qualquer coisa que nem me dei ao trabalho de ver. Mas o certo é que um pensamento leva ao outro e dei por mim a pensar de forma saudosita do tempo em que no pára-brisas do carro encontrava papelinhos com recados, ou flores talhadas em rabanetes :)
Que é feito dos bilhetinhos, das cartas, dos lenços dos namorados, ou mesmo dos pombos-correios?
O que é feito do tempo a que a malta suava as estopinhas para conseguir entrar em contacto com os outros?? O que é feito da imaginação para fazer tecer pequenos ardis?
A sério. Às vezes sinto falta destas coisas. Dos sinais combinados em assobios para que se viesse à janela, dos bilhetes pendurados em sítios estratégicos, das surpresas de alguém que aparecia sem se fazer anunciar, das flores recebidas sem aviso prévio. Essas coisas.
Será que a tecnologia também nos tira imaginação? Hoje as presenças são garantidas em sms, em e-mails, em comentários nos blogues e afins. Mandam-se sorrisos ou beijos lascivos por msn, combinam-se presenças sem surpresas, até conhecemos melhor as pessoas pelos textos que escrevem do que pelos cafés que se tomam.
Isto vindo da miúda que tem três caixas de e-mail, msn ligado todo o dia, blogue, hi5, netlog (que não usa), facebook (que não usa) e três telemóveis, parece ridículo, eu sei.
E também gosto de tudo o que vem pela tecnologia, que eu cá não sou esquisita e gosto mesmo é de contactos, mas hoje estou assim saudosista, tradicionalista e apetecia-me que, de repente, as colegas da bilheteira me chamassem porque está lá alguém para me ver, que no meu pára-brisas tivesse um papelucho a dizer qualquer coisita que não fosse venda, apetecia-me receber uma carta de amor ou chocotelegrama, doce, doce, doce…
A culpa é do sol. Do sol e desta mania de ser uma incurável romântica, mesmo quando conduzo!