Apetecia-me recolher a cabeça aos pés, fazer eleições para as câmaras do coração e parar a circulação no ponto exacto da comunicação a todos os tecidos. Só assim, para desarrumar tudo e lançar o caos em hemorragias.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Mutante
Ando um bocado virada para dentro. Nem sempre gosto do contorno do estômago, do delineado do coração ou do respirar dos pulmões. Cansa-me este encaixe oleado de máquina. O corpo cansa-se do encaixe.
Apetecia-me recolher a cabeça aos pés, fazer eleições para as câmaras do coração e parar a circulação no ponto exacto da comunicação a todos os tecidos. Só assim, para desarrumar tudo e lançar o caos em hemorragias.
Apetecia-me recolher a cabeça aos pés, fazer eleições para as câmaras do coração e parar a circulação no ponto exacto da comunicação a todos os tecidos. Só assim, para desarrumar tudo e lançar o caos em hemorragias.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
António Lobo Antunes
"Acho que não devia fazer electrocardiogramas eu, devia fazer escalas de Richter porque me parece que em lugar de coração tenho um sismógrafo cuja agulha assinala o menor estremeço interior ou exterior com uma amplitude imensa: basta-me viver para a agulha não parar e que cordilheiras de tinta os meus dias. Se me perguntam:
- Como vais?
só tenho a mostrar riscos enormes, capazes de fazerem cair todos os prédios da cidade e espanta-me que Lisboa permaneça intacta e o chão nem oscile."
- Como vais?
só tenho a mostrar riscos enormes, capazes de fazerem cair todos os prédios da cidade e espanta-me que Lisboa permaneça intacta e o chão nem oscile."
Warm Heart of Africa- The very best
Parte de mim está em Africa! Verdade, verdadinha. E até tem internet desta vez :)
Para ela, mana linda, cá vai uma músiquinha dedicada ao coração quente do verão.
Toca a menear as ancas!!
Para ela, mana linda, cá vai uma músiquinha dedicada ao coração quente do verão.
Toca a menear as ancas!!
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Basico
Ana gostava de princípios. Não dos finais. Os finais eram, dizia, pontos que se tinham enganado na conjugação da oração.
Ana gostava dos princípios, do acordado desassossego “que giro uma novidade “ atropelada pela realidade que vem nos jornais, no degelo dos dias, nas ruas onde se cruzam pernas a caminhar para os transportes públicos.
Um certo encanto nos sorrisos e conversas em esplanadas solarengas com copos altos de sumo natural e o cheirar tão bem como a café acabado de fazer.
O calor crescente nos copos e nas vontades, num complemento directo em subtis futuros indirectos, caminhando pela cidades, mãos nos bolsos um do outro.
Ana gostava destes princípios, e eram sempre assim. Os mesmos sintomas, os mesmos sinais, os mesmos medos que levavam a correr de si e a voltar, em cada esquina, a tropeçar nos lancis dos passeios e a cair de cara.
Olhava à volta, ninguém tinha visto e levantava-se a correr, alisando a saia e ajeitando o cabelo, desejando não vissem que chorava sempre. Por isso não gostava dos finais.
Ana gostava dos princípios, do acordado desassossego “que giro uma novidade “ atropelada pela realidade que vem nos jornais, no degelo dos dias, nas ruas onde se cruzam pernas a caminhar para os transportes públicos.
Um certo encanto nos sorrisos e conversas em esplanadas solarengas com copos altos de sumo natural e o cheirar tão bem como a café acabado de fazer.
O calor crescente nos copos e nas vontades, num complemento directo em subtis futuros indirectos, caminhando pela cidades, mãos nos bolsos um do outro.
Ana gostava destes princípios, e eram sempre assim. Os mesmos sintomas, os mesmos sinais, os mesmos medos que levavam a correr de si e a voltar, em cada esquina, a tropeçar nos lancis dos passeios e a cair de cara.
Olhava à volta, ninguém tinha visto e levantava-se a correr, alisando a saia e ajeitando o cabelo, desejando não vissem que chorava sempre. Por isso não gostava dos finais.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
...
Às vezes ainda penso que podias ser tu. Que a história ainda não acabou e a qualquer altura há uma reviravolta como nos filmes e tábua rasa, começamos.
São distracções do meu cérebro que ainda não programou totalmente, razão acima de tudo, para que comande todos os poros.
Distraio-me e revejo os momentos em que pensei que fosses o cavaleiro que aparecia, mesmo com os defeitos que depressa aprendi a reconhecer mas que gostava tanto como as virtudes das tuas grandes mãos agarradas às minhas puxando gentilmente para ti.
Pensei que me pudesses desconcentrar ao limite da minha vida diária, sem sal, e obrigares-me a uma permanência feita em horários estudados, para que fosse tua em todas as horas menos práticas. Que me enlouquecesses para logo correr reconhecendo-te como não sendo possível estar noutro lugar tão tranquilo e ousado ao mesmo tempo.
Das palavras sempre feitas em diálogos entendidos, partilhados, sonhados, com meios-tons ou totalmente explicado como se tivesse cinco anos e precisasse de saber tudo o que rodeia o aparecimento do mundo.
Achei que farias de mim a exigência de ultrapassar o normal dos erros que sempre cometo obrigando-nos a um ser novo, consciente e bem-querente, sem sombras do que fomos, novos num enredado de vontades. Sempre eu, sempre tu e nascer um nós caminhante com sacos de compras para o jantar feito à medida.
Pensei que te faria sempre à verdade para que não escondesses o riso emoldurado em covas e os momentos não fossem o de se estar só numa qualquer casa que às vezes não é mais que paredes.
Achei-nos brilhantes em cumplicidades dadas pelas cores do reconhecimento dos gestos, silêncios com o vento de lado a alvoraçar o cabelo, sem rodeios de joguinhos de mal-entendidos e fossemos reconhecidos por ter ganho a alma.
Às vezes ainda penso que podias ser tu e a historia teria outro fim, mas não se abriu o caminho em que a vontade atropela o atabalhoado das desculpas de não sermos o mesmo tempo atrevido.
São distracções do meu cérebro que ainda não programou totalmente, razão acima de tudo, para que comande todos os poros.
Distraio-me e revejo os momentos em que pensei que fosses o cavaleiro que aparecia, mesmo com os defeitos que depressa aprendi a reconhecer mas que gostava tanto como as virtudes das tuas grandes mãos agarradas às minhas puxando gentilmente para ti.
Pensei que me pudesses desconcentrar ao limite da minha vida diária, sem sal, e obrigares-me a uma permanência feita em horários estudados, para que fosse tua em todas as horas menos práticas. Que me enlouquecesses para logo correr reconhecendo-te como não sendo possível estar noutro lugar tão tranquilo e ousado ao mesmo tempo.
Das palavras sempre feitas em diálogos entendidos, partilhados, sonhados, com meios-tons ou totalmente explicado como se tivesse cinco anos e precisasse de saber tudo o que rodeia o aparecimento do mundo.
Achei que farias de mim a exigência de ultrapassar o normal dos erros que sempre cometo obrigando-nos a um ser novo, consciente e bem-querente, sem sombras do que fomos, novos num enredado de vontades. Sempre eu, sempre tu e nascer um nós caminhante com sacos de compras para o jantar feito à medida.
Pensei que te faria sempre à verdade para que não escondesses o riso emoldurado em covas e os momentos não fossem o de se estar só numa qualquer casa que às vezes não é mais que paredes.
Achei-nos brilhantes em cumplicidades dadas pelas cores do reconhecimento dos gestos, silêncios com o vento de lado a alvoraçar o cabelo, sem rodeios de joguinhos de mal-entendidos e fossemos reconhecidos por ter ganho a alma.
Às vezes ainda penso que podias ser tu e a historia teria outro fim, mas não se abriu o caminho em que a vontade atropela o atabalhoado das desculpas de não sermos o mesmo tempo atrevido.
Taxa
Tenho os ouvidos cheios. Não cabe nem mais uma palavra. À minha volta não param de falar e falar e falar numa inconsciente superficialidade que vai enchendo o espaço que devia ser dedicado ao importante. As palavras vêm em jorro, batem no ouvido externo e escorrem lentamente pescoço abaixo.
Podiam ser sopros frescos, mas o hálito cheira a azedo e faz-me virar a cara.
Também me ouço a falar, falar sem parar, como se disso dependesse algum total processado em texto corrido. Mas porque não me calo? Porque não se calam todos?
Não quero ouvir mais nada. Quero silêncio. Agora. Shiuuu!!
Quem quiser dizer alguma coisa que o faça por gestos que sempre fui boa em mímica.
Podiam ser sopros frescos, mas o hálito cheira a azedo e faz-me virar a cara.
Também me ouço a falar, falar sem parar, como se disso dependesse algum total processado em texto corrido. Mas porque não me calo? Porque não se calam todos?
Não quero ouvir mais nada. Quero silêncio. Agora. Shiuuu!!
Quem quiser dizer alguma coisa que o faça por gestos que sempre fui boa em mímica.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Cortejo
À frente, na vida, seguem os heróis, como em banda desenhada, quadradinhos. Seguem os aventureiros, chapéu à Indiana Jones, sem medo dos animais ferozes que se escondem nas esquinas. Seguem os poetas, ilusionistas, a vida em magia, que lançam pozinhos de cores em espirais de ilusões que dão. Seguem os amantes, impulsionados pela força que move o impossível num desafio constante à vida.
À frente, as passagens do tempo que nos levam a levantar para uma qualquer direcção e seguir os heróis. Sonhar com um sítio onde não há tempestades, onde somos todos sempre melhores, maiores que nós próprios e mais uns deuses à mistura numa mortalidade digna de ser ver.
Nos sítios que percorremos deve estar a liberdade sussurra aos braços estendidos, à vontade e à força que aguenta os joelhos sem se dobrarem. Somos!
À frente, as passagens do tempo em que crescemos, mas nunca tanto que da parede do fim não haja a distância suficiente para podermos rir com os olhos molhados dos coelhos que vão saindo da cartola. Nunca tanto que a fome de ir já esteja saciada. Nunca tanto que do amor já só exista uma linha escrita.
Há vida à nossa frente. Há vida depois de nós.
O que vem depois que encerre o cortejo e feche a porta, porque nós vamos à frente.
À frente, as passagens do tempo que nos levam a levantar para uma qualquer direcção e seguir os heróis. Sonhar com um sítio onde não há tempestades, onde somos todos sempre melhores, maiores que nós próprios e mais uns deuses à mistura numa mortalidade digna de ser ver.
Nos sítios que percorremos deve estar a liberdade sussurra aos braços estendidos, à vontade e à força que aguenta os joelhos sem se dobrarem. Somos!
À frente, as passagens do tempo em que crescemos, mas nunca tanto que da parede do fim não haja a distância suficiente para podermos rir com os olhos molhados dos coelhos que vão saindo da cartola. Nunca tanto que a fome de ir já esteja saciada. Nunca tanto que do amor já só exista uma linha escrita.
Há vida à nossa frente. Há vida depois de nós.
O que vem depois que encerre o cortejo e feche a porta, porque nós vamos à frente.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Musiquinhas
Embora não realce aqui muitas vezes, há musica portuguesa que gosto mesmo muito. Como o sr que se segue. Não o acho um grande interprete, mas tem um carisma qualquer, assim a modos que inconfundível
E a que segue, que é uma das minhas musicas em repeat ultimamente. Junta dois extraordinários, o "nosso" Rodrigo Leão, e a voz perfeita do Neil, dos Divine Comedy.
E a que segue, que é uma das minhas musicas em repeat ultimamente. Junta dois extraordinários, o "nosso" Rodrigo Leão, e a voz perfeita do Neil, dos Divine Comedy.
Tasmanices XVII
Em conversas sobre o planeamento do dia :
Diaba- Almoçamos no McDonalds, passeamos e vamos à praia.
Mãe- Ok. Parece-me bem.
Diaba - Depois do almoço posso comer um gelado.
Mãe - Não é melhor comeres ao lanche quando sairmos da praia?
Diaba- Vá, diz lá o que eu tenho de fazer para comer um ao almoço e outro à tarde...
(Pois filha, lamento, mas nem o teu charme apurado vai conseguir a proeza de comeres dois gelados no mesmo dia... Mas admiro e faz-me rir esta tua desenvolvida capacidade de tentares negociar com chantagem...)
Diaba- Almoçamos no McDonalds, passeamos e vamos à praia.
Mãe- Ok. Parece-me bem.
Diaba - Depois do almoço posso comer um gelado.
Mãe - Não é melhor comeres ao lanche quando sairmos da praia?
Diaba- Vá, diz lá o que eu tenho de fazer para comer um ao almoço e outro à tarde...
(Pois filha, lamento, mas nem o teu charme apurado vai conseguir a proeza de comeres dois gelados no mesmo dia... Mas admiro e faz-me rir esta tua desenvolvida capacidade de tentares negociar com chantagem...)
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
A nossa casa
Vim aqui porque não havia outro lugar onde pudesse morrer. Ainda dei outra volta antes de me decidir ficar aqui à espera. Houve tempos em que esperava o lento beber de um beijo vindo de qualquer direcção e atirado por ti.
Mas imagina tu como as coisas são, de repente o vazio. No preciso momento em que já não o esperava. Não se fez anunciar, não telefonou ou mandou recado a comunicar a sua vinda. Simplesmente apareceu no momento em que o teu carro virou a esquina. Ainda estava à janela quando desapareceste no fundo da rua, na velha rotina do “adeus e tem um bom dia” e eu a lembrar-me de ti misturando raiva, desejo, amor e ódio em quantidades desproporcionadas.
Agora o vazio, do tempo que se perde em esperanças muradas, perdendo a direcção, o sentido e outra vez o tempo
Queria dizer-te uma coisa importante, daquelas que devia esperar até tu morreres para dizer, mas decidi que sou eu que vou morrer e é importante que a saibas. Já tive várias vezes certa que irias morrer e depois nada, voltas mais vivo do que eu.
Sempre supôs que soubesses das máscaras que invento de cada vez que entro na casa onde habitamos. As máscaras que começaram por uma brincadeira, daquelas que fazemos no grupo dos amiguinhos da primária, trocando papeis e invertendo as posições. Depois tomaram forma e eram mais fácil andar mascarada. Não tinha de mostrar a verruga ao pé do lábio, a que me atormenta desde o nosso primeiro beijo. Sempre supôs que soubesses que era para que pudesses estar ao meu lado sem que ninguém percebesses ou quisesse saber. Garantia uma capar protectora sobre o nós contra o mundo real que teimava em querer infiltrar-se como ervas daninhas.
Não sabias. Logo tu que viste a verruga desde o primeiro dia. Logo tu a quem mostrei e nunca escondi nem as palavras. Logo tu, queres que explique o que de mim devias saber.
Voltas atrás e perguntas quem sou. Eu olho-me ao espelho depois da porta batida e vejo a mesma, igual. Foste tu que deixaste de ver com os olhos do coração.
Agora foste embora e quando voltares, no final do dia, será tarde demais porque és apenas uma ilusão. O que me mostraste de ti, o que dei de mim, que fique para sempre enterrado, que nada volte à luz dos dias.
Fecho os olhos e vejo-te uma última vez. Há coisas que não se podem querer e tu és uma delas, nesta existência precipitada, imprevisível. Já nada depende de mim, da minha vontade, tudo é apenas, como sempre, a tua.
Todos os sentimentos deviam ser recíprocos. Gostava de acreditar que assim é. Poupava-se e ganhava-se tanto. Mas não são, e esta lucidez assusta-me demasiado por isso, vim aqui porque não havia outro lugar onde pudesse morrer.
Adeus, para sempre tua.
Mas imagina tu como as coisas são, de repente o vazio. No preciso momento em que já não o esperava. Não se fez anunciar, não telefonou ou mandou recado a comunicar a sua vinda. Simplesmente apareceu no momento em que o teu carro virou a esquina. Ainda estava à janela quando desapareceste no fundo da rua, na velha rotina do “adeus e tem um bom dia” e eu a lembrar-me de ti misturando raiva, desejo, amor e ódio em quantidades desproporcionadas.
Agora o vazio, do tempo que se perde em esperanças muradas, perdendo a direcção, o sentido e outra vez o tempo
Queria dizer-te uma coisa importante, daquelas que devia esperar até tu morreres para dizer, mas decidi que sou eu que vou morrer e é importante que a saibas. Já tive várias vezes certa que irias morrer e depois nada, voltas mais vivo do que eu.
Sempre supôs que soubesses das máscaras que invento de cada vez que entro na casa onde habitamos. As máscaras que começaram por uma brincadeira, daquelas que fazemos no grupo dos amiguinhos da primária, trocando papeis e invertendo as posições. Depois tomaram forma e eram mais fácil andar mascarada. Não tinha de mostrar a verruga ao pé do lábio, a que me atormenta desde o nosso primeiro beijo. Sempre supôs que soubesses que era para que pudesses estar ao meu lado sem que ninguém percebesses ou quisesse saber. Garantia uma capar protectora sobre o nós contra o mundo real que teimava em querer infiltrar-se como ervas daninhas.
Não sabias. Logo tu que viste a verruga desde o primeiro dia. Logo tu a quem mostrei e nunca escondi nem as palavras. Logo tu, queres que explique o que de mim devias saber.
Voltas atrás e perguntas quem sou. Eu olho-me ao espelho depois da porta batida e vejo a mesma, igual. Foste tu que deixaste de ver com os olhos do coração.
Agora foste embora e quando voltares, no final do dia, será tarde demais porque és apenas uma ilusão. O que me mostraste de ti, o que dei de mim, que fique para sempre enterrado, que nada volte à luz dos dias.
Fecho os olhos e vejo-te uma última vez. Há coisas que não se podem querer e tu és uma delas, nesta existência precipitada, imprevisível. Já nada depende de mim, da minha vontade, tudo é apenas, como sempre, a tua.
Todos os sentimentos deviam ser recíprocos. Gostava de acreditar que assim é. Poupava-se e ganhava-se tanto. Mas não são, e esta lucidez assusta-me demasiado por isso, vim aqui porque não havia outro lugar onde pudesse morrer.
Adeus, para sempre tua.
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