sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Estas aqui para ser feliz



É isto! Estás aqui para ser feliz!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Tasmanices XIII

A Diaba continua a sua estreita ligação com cães imaginários. Passámos a ter dois, o Bolt (desde que vimos o filme no cinema) e o Farrusco ( o seu cão de sempre), mas o Farrusco continua a ser o predilecto e com quem ela se chateia mais quando ele vai de viagem ( e se este cão viaja!!!!).
Os pais deles são tão à frente como eles, viajam imenso, estão sempre em jantares sociais e coisas do género, mas fiquei a saber que o Pai, quando novo, teve problemas de saúde:
Diaba - Pois é Mãe, o Pai do Farrusco quando era pequeno esteve doente. Tinha uma borbulha no umbigo, que era tão grande como um intestino (????) e estava sempre com um vómito seco e profundo (!!!!!!!!!).
Mãe- Que chatice filha. Como é que ele curou?
Diaba- Teve 9 meses nos médicos. Foi numa cama de rodinhas...
Mãe- Numa maca?
Diaba- Sim isso, numa maca para o refeitório dos médicos nas urgências (???????) e esteve lá 9 meses. Depois eles mudaram-lhe os olhos e a boca e ele ficou bom.

(Acho que nunca lhe devia ter falado no Fantasporto!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Vestida de preto

" Vou partir
Como se fosses tu que me abandonasses (...)
Lembro-me que tinhamos fome havia três dias
encostado ao mármore da mesa de cabeceira dormia a fotografia
e o maço de português suave filtro
A escuridão não era só exterior
Conheciamo-nos pelo tacto e pelo olfacto
tornámo-nos murmurantes
e tu refulges ainda no escuro dos quartos que conhecemos
cruzámos olhares cúmplices
e falámos muito, não recordo bem do quê
e no calor dos corpos crescia o desejo
caminhámos pela cidade
eu metia as mãos nas algibeiras
onde tacteava tudo o que guardara e possuia
um lenço, uma caixa de fósforos um bloco de notas
sentia-me feliz por quase nada possuir
a imagem azulada de tuas mãos flutuava diante de mim
gesticulavas para me dizer que estávamos vivos e apaixonados (...)
Vou abandonar-te no lado claro da noite
onde o tempo é um fio de luz rasgando a espessura do corpo
vou partir
com estas manchas de frutos sorvados no coração
para sempre vagamundo
no corredor de espelhos sem tempo deixo-te o sonho
onde já não arde nenhum rosto nenhum nome
nenhuma voz de silente treva
nenhuma paixão.
abandono-te para além da linha nitida da manhã
onde dizem que tudo existe se transforma e continua vivo
longe
muito longe desta inocente memória das Índias."

Al Berto, O Medo

Oh Fuck

O amor tem urgência. Tem urgência na palavra quando o silêncio se prolonga. Tem urgência no toque quando o formigueiro quebra a força das pernas. Tem urgência no olhar quando, cego, só tem olhos para o olhar do outro.
O amor não espera. Mesmo quando espera por qualquer razão que ganhou no duelo ao sentimento, o amor fica inquieto, bicho-carpinteiro que corre sobre si mesmo, porque é alvoroço, até que se acalma quando se senta à frente do amor.
O amor não tira férias, mesmo quando, em dias de sol, se deita, pés na areia, para depois se levantar apenas mais escuro do bronzeado. O amor trabalha todos os dias, cá dentro, na construção, tijolo sobre tijolo, sem picar relógio de ponto nem cumprir horário.
O amor não é contido, transborda em todos os poros porque não cabe em lado nenhum e tem de transbordar nos lábios, na pele, nas nódoas negras que aparecem, prenúncios de pequenas feridas.
O amor não se prende, deixa-se voar, quando tem de ser, na esperança que sempre volte, mas prende quando no coração, no esófago, no estômago, nos intestinos, cria raízes que de tão profundas não se arrancam e dessas raízes continuam a sair pequenos troncos que florescem na pressa dos minutos, que o amor tem, da presença.
O amor tem urgência em estar e luta, armado em espadachim, para o fazer.
O amor grita, todos os dias, bem alto “Vem”!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Filhos e enteados

Não simpatizo lá muito com a vizinha de baixo. Não é que não goste, mas também não simpatizo. Há coisitas que me fazem um pouco de impressão, como ela ouvir Tony Carrera como se não houvesse amanhã ou os miúdos (um casal de gémeos com 7 anos) nunca terem ido a um cinema. Nada de profundo.
De vez em quando lá aparecem os dois miúdos em casa, nos dias em que de um hamburguer para um se faz uma bolonhesa para três só para prolongar mais um bocadinho a brincadeira.
Por isso quando às 08H00 ela tocou à campanhia, a chorar compulsivamente, porque a vida prega partidas de mau gosto, só a podia abraçar e dizer "Vá. Eu fico com eles".
Hoje foi dia de 3 filhos. Passado que está o pequeno almoço, a brincadeira da manhã, o almoço, a saída da tarde, o lanche e os banhos, apetece-me pegar numa nota e mandá-los jantar fora e que só voltem quando estiverem a cair, mesmo a cair, mesmo, mesmo a cair de sono porque cheira-me que a tarefa de os por a dormir não vá ser das mais fáceis
Pela boca morre o peixe e eu acabei de sucumbir! Onde é que eu tinha a cabeça quando dizia que gostava de ter três filhos?????????????
Se voltar a dizer tal frase, internem-me compulsivamente!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Óscares

Primeira cena
Mulher sentada numa sala. Na parede, um grande relógio.
Grande plano da mulher a olhar para o telemóvel.
Câmara passa para relógio em zoom in. Os ponteiros giram sem parar.
Câmara alterna entre mulher sentada a olhar para o telemóvel e os ponteiros do relógio.
Fast Foward e vê-se a luz a desaparecer, ficar noite e dia e noite e dia e noite e dia e noite outra vez e a mulher sempre a olhar para o telemóvel.
Fade out

Segunda cena
Câmara em panorâmica. Está noite lá fora e o relógio marca 23H00.
Mulher pega no casaco e na mala e sai
Plano médio. A Mulher entra no carro, liga o rádio e começa a conduzir
A meio do caminho o telemóvel pisca. Câmara foca o visor em close up e lê-se o sms “Vem ter comigo”
Mulher pega no telemóvel e faz uma chamada. Monologo:
“ Sou eu. Já ia a caminho. Ter contigo.”
Pausa
“ Sim. Onde estás?”
Pausa
“Ok. 5 minutos e estou ai”

Terceira Cena
Entram juntos, a mulher e o homem, numa sala de cinema. Mais duas pessoas estão na sala sentadas.
O homem e a mulher chupam drops de anis enquanto se beijam. Câmara em travelling vertical para apanhar todos os movimentos dos corpos. Passa para plano médio e depois zoom in quando as bocas se encontram. Close up
Grande plano da tela onde George Clooney corre pelo meio de árvores

Quarta Cena
Em Áudio, a música de Pedro Abrunhosa
“E quando perceberam que a noite era só deles
Mataram desejos e rolaram beijos
Colados ao corpo perdidos no chão
Então os dois foram um
E o tempo nenhum
Para o que tinham para se dar”
Grande plano de uma cama com os dois abraçados. Fecha para plano médio enquanto os dois acordam e sorriem.
“ Vai correr tudo bem, o pior já passou” diz ele
Ela sorri e pergunta “ Ficas comigo?”
“Sim” responde ele.
Câmara abre para plano aberto enquanto mostra os dois corpos abraçados em suaves movimentos.
The End

Filme nomeado para Melhor Filme 2008

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Certezas

Ontem pintei as unhas de vermelho escuro. Mãos arranjadas e bem pintadas. Bonitas.
Mas não são as minhas mãos. Não são as que conheço. Não sou eu.
Foi uma viagem tão longa para chegar ao que sou que não vale a pena inventar.
Sou miúda de calças de ganga e não de saias travadas, de BMW e não Mercedes, de vinho tinto e não cerveja, de unhas em tons pastel.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Os nossos Óscares

Este ano estou mesmo bem preparada para a entrega dos Óscares. Este ano posso discutir preferências, politiquices hollywoodescas e coisas que tal.
Nada como o ano passado, que fui, na última noite, a uma sessão da meia-noite para ter, pelo menos, um filme visto. Ja não me lembro qual era o filme e não perguntem nenhuma cena, porque as cenas que me lembro dessa noite nada têm a ver com o que se passava no ecrã.
Por isso, este ano, já entregámos os Óscares lá por casa. Cá vai a nossa escolha:
- Melhor filme: O Panda Kung-Fu
- Melhor actor: O Panda, do Panda Kung-Fu
- Melhor actriz : Tigresa, do Panda Kung-Fu
- Efeitos Especiais: Bolt
É pena só haver três nomeados para todas as categorias (Panda Kung-Fu, Bolt e Wall-E), parece que Hollywood teve em baixa produção este ano! :) (ou haverá mais filmes e eu não sei???? )

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Tasmanices XII

Enquanto cozinhava o jantar, a Diaba veio ajudar. A determinada altura vê que me preparo para juntar à massa algo que ela não gosta:
Diaba (olhando de lado com esgar de gozo)- Ai que bom jantarzinho que vais fazer. Sim senhora que bom. Muito boa cozinheira!
Mãe (imitando o gozo) - Ainda bem que gostas, filha
Diaba - Pois, então não se está mesmo a ver que gosto????? Sim, sim

( Eu sei... o uso continuo da ironia, pela parte da Mãe, leva à aprendizagem rápida do uso da ironia, pela filha, mas está-me no sangue! Pelos vistos no dela também!)

Tasmanices XII

A leitura da noite tem sido "Os Maias" versão para crianças.
Ontem após uma cena em que uma personagem é desafiada para um duelo pelo marido traído:
Diaba- Mas porque é que o sr queria andar à luta com o Ega (nome do personagem que tinha um caso com uma mulher casada)?
Mãe- Porque estava chateado por o Ega namorar com a mulher dele e as questões de honra resolviam-se assim.
Diaba - Mas se o Ega e a senhora gostavam um do outro qual era o problema?

(Estou verdadeiramente assustada.....Esta miúda está demasiado parecida comigo e só tem 4 anos! O que vale é que podemos culpar, para o resto da vida, os "Maias" pela ausência de moral! :)))