terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Diversos

Diversos 1- Já há algum tempo que tinha "perdido" a chave do correio da antiga casa. Estava chateada com isto! Toda a gente que me escreve, normalmente a pedir dinheiro, continua a escrever para aquela morada. Além disso, tinha a nítida imagem de colocar a dita chave num porta chaves, supostamente no meu. Mas não estava lá, nem no meu, nem nos restantes porta chaves que andam lá por casa.
Este fim de semana a Amiga deixou as chaves de sua casa comigo. No meio delas, uma pequenina amarela, chama a minha atenção. Parece mesmo a chave que eu julgava perdida. Ontem fui experimentá-la e não é que é mesmo? Encontrei, encontrei, encontrei!
Só não sei o que pensar disto: ou a demência já chegou ao ponto de não retorno (por as nossas chaves num porta chaves de outra pessoa sem sabermos, não é sinal de lucidez!) ou então o sentimento de partilha já é tão grande que não importa quem tem as chaves! :)

Diversos 2- Entrei em casa e ouvi-o logo a chamar. Ele sabe que venho para o agradar. Assim que nos vemos enrolamo-nos. Mordisca-me os pés, beija-me o pescoço. A maneira como vem até mim é única...Consigo ver nos olhos dele a satisfação. No meio das carícias, crava-me as unhas nos lábios e comecei logo a sentir o sabor a sangue!
Raio do gato que não consegue fazer festas sem me arranhar!
(S. amiga, quando me quiseres proporcionar momentos destes, por favor, deixa lá um gato com 1,85 mt, 80 kg bem distribuídos e definidos e, de preferencia, moreno. Pode ser??? Sim? Sim?)

Diversos 3- Toca o telefone. É a mana, que num tom meio chateado, meio resignado diz "Fiquei sem bateria no carro. Podes vir ter comigo?". Claro que sim, mana linda, por ti vou a qualquer lado. Levo o carro e os cabos de bateria. Positivo com positivo, negativo com negativo e lá o carro começa a trabalhar. O pior é que não é da bateria e para fazermos uma distancia de 500 mt, tivemos de " dar choques electricos" ao carro por quatro vezes! Ao fim de uma hora lá conseguimos estacionar o moribundo. Está em coma e tenho a certeza que só sobreviverá com um transplante, mas pelo menos serviu para passar mais tempo com a mana :)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Luminoso

“(...) Temos tempo de sobra.
Vou ressuscitar-te, assim poderás contar-me em sussurro o que fomos.
Eu poderei contar-te o que esqueci. Esta canção quase perdida na casa do nosso passado.
O sonho tem manchas de frutos sorvados no coração. Tem palpitações de sangue e de ilhas, de mares que se espreguiçam para dentro das cidades. E estas sobrevivem envoltas num véu de neblinas. Vemo-las tremeluzir no turvo crepúsculo das praias.
Que ponte levadiça trará de novo o desejo esquecido nos postos longínquos?”

Luminoso Afogado Al Berto




Dueto

Iam pela estrada, noite fora. Não sabiam bem o caminho, mas quando olharam pela janela do carro perceberem que era por ali que tinham de ir. As luzes fortes piscavam, intermitentes. “Motel” e a vontade passou a ser contínua.
A porta fecha-se. Os corpos despem-se.
A cama redonda, por baixo do espelho que mostra um corpo em cima do outro. Lentamente, mãos que escorregam. Os lábios começam na boca. A língua entra e procura companhia.
O corpo faz de copo para o champanhe de boas vindas. Líquido que é sorvido em pequenos goles em mamilos tesos do frio e desejo. Escorre pela barriga. A língua acompanha o pequeno rio que desagua no triângulo já húmido e morno. Demora-se por lá em círculos que fazem nascer um gemido.
Trocam-se posições. Lento abocanhar do membro teso. Depois mais depressa.
As mãos empurram a cabeça para o movimento que se quer.
Os seios nus a roçarem a pele quando deslizam, enquanto os braços prendem na posição certa.
Ouvem-se gemidos do quarto ao lado. Uma mulher que grita “Mais” .
Na parede, o espelho que mostra o desejo crescido, dedos que enchem a cavidade com cio. Reflecte, também, as imagens de Vénus sintonizada na televisão. Descarada, pornográfica. Como o ambiente. Como eles e a vontade.
Penetra-a, fazendo-a cavalgar, roçando pernas. Ir e vir louco, as unhas cravadas na pele. Mãos que empurram e fazem força no peito dele. Bem fundo. A luz vermelha que ilumina por trás. A cama redonda a fazer rodar os corpos para outra posição, de lábios abertos, para o receber novamente. Fundo e forte. O quarto ao lado silencioso quando o grito anuncia o êxtase em loucura permitida deste quarto.
Ao lado da cama, uma cadeira. Erótica. A chamar para ser usada. No "Motel".

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Fly me to the Moon- Hiro

Tive uma educação católica.
Lembro-me com 10 anos, influenciada pelas colegas da escola, pedir para ir para a catequese. E assim fui, e assim fiz até ao Crisma e até fui catequista (este é um texto sério, é favor não rir!).
Tive a sorte de ter dois "Pais de fé" fabulosos. Um, é o maior exemplo de humanismo que conheço. O sorriso sempre pronto, a disponibilidade para com os outros e com o mundo, o peito aberto a tudo.
O outro já não está connosco. Os nossos últimos tempos foram passados em muitos "passeios", como lhes chamavamos. O banco reclinado para trás e eu a conduzir muito devagarinho para que a quimioterapia não fizesse saltar o vómito cruel que o consumia.
Com eles aprendi uma fé que não tem a ver com pecados e labaredas do Inferno. Com eles aprendi a pensar e a sentir. Não diziam "é isto que está escrito, acredita". Diziam antes " o que pensas sobre isto". Com eles aprendi uma fé que fala de amor, de perdão, de dávida. Que fala na eterna fragilidade humana. Que fala no silêncio. Que fala em pegar ao colo quando as nossas pernas cedem ao cansaço.
Deste tempo ficaram, também, muitas das pessoas que me acompanham. Porque ali também era um espaço de encontro com a malta. De risos, de partilhas, de disparates. Éramos jovens e giros (inacessíveis, S.?).
Confesso-me afastada desta fé praticada. Católica não praticante, como se costuma dizer (como se isso fosse possível. É quase como dizer "sou fumador, mas não fumo, sou bailarino mas não danço"). Estou afastada dos templos, estou afastada de muitas das "normas", "regras", "ensinamentos".
Fui ensinada a questionar e a sentir e isso faz com que não consiga aceitar muita coisa. Faz com que não consiga resignar os ombros e dizer "Foi a Sua vontade".
E por isso, discuti com o Pai e bati a porta.
Mas acalmei. Não vou dizer que voltei, mas tenho a minha fé. A minha crença em algo mais forte que nós, numa energia maior. A minha crença naquilo que acredito serem ensinamentos de vida, o amor e o respeito ao próximo. Por isso a minha crença nas pessoas.
É a minha, não a imponho a ninguém. Sinto-me bem nela.
Neste Natal pensei muito nisto. Pensei, sobretudo, por causa da Diaba e do que lhe quero transmitir. É dificil lutar contra o Pai Natal e também não quero, mas eu a Diaba tivemos uma conversa muito gira sobre o porque de se dar presentes e o porque de se celebrar o Natal. Na versão católica. Na versão de que nasceu um menino muito amado a quem os Reis Magos ofereceram prendas. E ela achou a história muito gira. E eu fiquei contente.

Tasmanices IV

" Mãe- Mas que grande arranhão tu tens na testa. Como é que fizeste isso?
Diaba da Tasmania- Não sei, não me lembro. Sou como tu, não sei onde faço estas coisas."
(Com tanta coisa, filha, para tu teres os genes da Mãe, tinhas logo que herdar a aptidão para o desastre natural....)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Um beijo

Porque me perco e me dispo
no teu olhar.
Porque o teu sorriso de menino-homem
brilha em mim.
Porque o amor é
um sentimento que cresce,
que se transforma
que é aconchego.
Porque sim!
Um beijo

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Um dia aprendo a voar!


foto retirada de http://www.fotosensivel.com/

Whisper

"
Ele - hello i'm still here
all that's left of yesterday

Ela- I've always been right behind you
I'll always be right beside you"

sábado, 20 de dezembro de 2008