quinta-feira, 4 de março de 2010

Vidinhas

Gostava muito de estar aqui a escrever. Qualquer coisa gira, qualquer coisa...
Mas em vez disso tenho de escrever uma reclamação para a TMN e uma tentaiva de dissolução de contrato para o "meu" franchising. E a unica coisa que me apetece é escrever-lhe, a corpo 72, um monte de asneiras! :)

quarta-feira, 3 de março de 2010

Conversas

Há coisas que não te contei porque são como corvos, asas negras abertas, que assombram os meus dias, mesmo os de sol.
Não mas perguntaste como eu não te perguntei a ti de que terrores se cobrem as tuas noites, quando dás voltas e voltas na cama à procura de um lugar seguro.
Há coisas que não te disse porque…porque… em sons eu tenho medo.
Mas regista, para qualquer memória futura, que se mas perguntares, direi palavra por palavra os medos que me assaltam quando não estás por perto. Por ser este excesso de bagagem, do qual se aproveitam forças adversas, ao cair da noite, em forma de vampiros, para vir beber todas as gotas que tento à força reter para as viagens do dia.
Precisava que estivesses aqui e me apertasses a mão com força, me salvasses dos fantasmas e me mostrasses qualquer coisa diferente.
É Inverno, e a chuva não passa. Está frio. Os dias não chegam ao ponto de aquecer e não vale a pena praguejar mais. É Inverno é suposto estar frio. Como era suposto ficarmos os dois abraçados debaixo de uma manta qualquer até os cabelos ficarem alvoraçados pelas mãos do desejo que és.
Há coisas que não te contei como a vontade de te dar a mão e juntos, saltarmos para a vida seguinte.

Canções de embalar

Canção de madrugar

De linho te vesti
de nardos te enfeitei
amor que nunca vi
mas sei.

Sei dos teus olhos acesos na noite
- sinais de bem despertar -
sei dos teus braços abertos a todos
que morrem devagar.

Sei meu amor inventado que um dia
teu corpo pode acender
uma fogueira de sol e de fúria
que nos verá nascer.

Irei beber em ti
o vinho que pisei
o fel do que sofri
e dei.

Dei do meu corpo um chicote de força.
Rasei meus olhos com água.
Dei do meu sangue uma espada de raiva
e uma lança de mágoa.

Dei do meu sonho uma corda de insónias
cravei meus braços com setas
descobri rosas alarguei cidades
e construí poetas.

E nunca te encontrei
na estrada do que fiz
amor que nunca logrei
mas quis.

Sei meu amor inventado que um dia
teu corpo há-de acender
uma fogueira de sol e de fúria
que nos verá nascer.

Então:
nem choros nem medos nem uivos
nem gritos nem pedras nem facas
nem fomes nem secas nem feras
nem ferros nem farpas nem farsas
nem forcas nem cardos nem dardos

nem guerras

José Carlos Ary dos Santos

terça-feira, 2 de março de 2010

Tasmanices XXXIX

Ao mostrar fotografias das férias e de um jantar:
Diaba- Ó Mãe já viste bem como estamos a sorrir? Era bom que fosse sempre tudo assim, a relaxar!
( A sério, miúda, tu fazes-me rir! Era muito bom, muito bom. Vamos para a Jamaica e abrimos um bar na praia??)
"Argumento é uma palavra antiga que quer dizer a brancura da aurora. É tudo o que ilumina e se discerne nesta palidez que surge em alguns instantes. Peremptório é o argumento: nunca é possível desviar o rio no instante exacto da sua cheia.
Assim como não é fácil parar o dia na sua aurora.
Espera-se.
Espera-se sem nada poder fazer, subitamente, numa contemplação tornada infeliz.
Ou o amor surgirá da paixão, ou nunca nascerá.
É verdade que não é fácil desenfeitiçar este momento petrificado. Cada um tem de superar este passo estranho em que tudo o que era descoberta no fundo da alma descobre que não descobrirá mais.
Onde tudo se põe a reconhecer."


-"Vida Secreta" - Pascal Quignard

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Dúvidas

E o amor? É como o mar, com marés que vão e voltam ou como um rio em que a mesma água não volta a passar nunca?

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

"Ontem fiquei à tua espera desde manhã,
Eles sabiam que não virias, eles adivinhavam.
Lembras como o dia estava lindo?
Um feriado! Eu não precisava de casaco.

Vieste hoje, e aconteceu
Que o dia foi cinzento, sombrio,
E chovia, e era tarde,
E ramos frios com gotas escorrendo.

Palavras não podem consolar, nem lenços enxugar."

- Arseni Tarkovski -

Colecção

É inevitável. Não há volta a dar ou tentar explicar o que de fora não se explica porque só dentro são sentidos.
A única diferença é que antes ardia de urgência de te levar e deitar numa prenda e agora espero os minutos necessários para te dizer de hoje. O dia será sempre o dia. Lembrado aqui ou em Coimbra.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Ask me

Posso dar-te tudo, menos amor.
Repara, é que apaixono-me demasiado fácil e rápido e já quebrei demasiadas vezes. Conheci o que o amor não deve à loucura, ou à morte como acto.
Tudo se paga? Já não pergunto baixinho ou a medo, mas afirmo “Tudo se paga!” e de paixão em paixão fui gastando os poucos cêntimos que ainda trazia no bolso.
Por isso pede-me o que quiseres menos amor que é a única coisa que
não posso dar.
Ou então, faz precisamente o contrário e pede-me de todas as maneiras. Quem sabe, no meio da confusão, não encontro uma nota num bolso...

A praga de Praga :)

Foram quatro dias que podiam ter sido muito frios, mas não foram! O vinho aquecido fez pulsar as veias e a cidade é bonita. Respirá-la é bom, tão bom que tudo o que é o resto da vidinha estava armazenado num cantinho para depois ir buscar.
E isso fez com que no primeiro dia, de volta, me esquecesse de metade da agenda que estava programada.
Creio que parte de mim estava congelada na Praça S. Venscelau :)