Hoje é para ti. Só para ti, segredado ao ouvido. Para ti “que me estreitas toda nos teus braços”.
Para ti que me vês chegar em alvoroço e me acalmas.
Que me fazes rir com vontade, até doer bochechas e tudo ser música de gargalhadas.
Que chutas o meu cansaço e o transformas num outro diferente, transpirado e liberto do peso, por vezes cinzento, que de vez em quando carrego.
Para ti que pegas nos meus problemas, os descodificas, e me dizes “Disto trato eu, não te preocupes!”. E eles deixam de ser meus. Eles deixam de ser problemas.
Porque esta é a maior prova desta amizade cheia de amor. Esta é a maior prova que podemos caminhar juntos até sermos velhinhos, tu muito refilão e eu completamente surda para não ter de te ouvir!
O estarmos lá um para o outro. O estarmos lá, nas gargalhadas, nas conversas ou no silêncio confortável que tanto gostamos, porque não há necessidade de encher espaço e tempo, porque estamos lá, um ao lado do outro para tudo.
É por isso que não me canso de dizer “Obrigada” e não me canso de te chamar Meu Bem-Querer.
(Estou a tratar-te bem?????? Aproveita que é só até quinta-feira. LOL )
segunda-feira, 9 de março de 2009
domingo, 8 de março de 2009
Confissão
Eu, pecadora, neste tempo de reflexão quaresmal, me confesso!
Pecadora do pecado da gula!!!!!!!!
Foi fim de semana de almoço de sábado recheado de petiscos, bolo divinal de chocolate e vinho (e muito boa companhia). Foi fim de semana de jantar de sabádo, com os amigos lá em casa, com o belo menu de bifinhos com molhos de natas e queijo e risoto de cogumelos com redução de aguardente (também com sopa e salada, que eu acredito numa alimentação equilibrada!!!) e vinhaça e morangoskas ( e, também muito boa companhia).
Foi fim de semana de esplanadar no domingo (desta vez foi com o mar aos pés) com almoço de tudo o que a época católica de jejum impõe (eu e a ironia ainda vamos directas para o calor do inferno!) ou seja, hamburguer, batatas fritas, copo de vinho e bolo de chocolate, ainda que acompanhados de salada porque adoro verdes ( e sempre em boa companhia)!
Temo por mim. Muito. Temo pelas minhas ancas!!!!!! (sim que o colestrol, como não o vejo, não me assusta, eheheh)
Pecadora me confesso, mas soube tãooooo bem.
(Adenda- Sr. PTzinho do meu coração, meu riquinhooooo, coisa boa, é tudo mentira! Eu juro que só comi uma fatia de bolo dada por si e bebi água, muita água. Nada mais entrou nesta boquinha santa! Não seja mauuuuuu com a menina, tá bem??)
Pecadora do pecado da gula!!!!!!!!
Foi fim de semana de almoço de sábado recheado de petiscos, bolo divinal de chocolate e vinho (e muito boa companhia). Foi fim de semana de jantar de sabádo, com os amigos lá em casa, com o belo menu de bifinhos com molhos de natas e queijo e risoto de cogumelos com redução de aguardente (também com sopa e salada, que eu acredito numa alimentação equilibrada!!!) e vinhaça e morangoskas ( e, também muito boa companhia).
Foi fim de semana de esplanadar no domingo (desta vez foi com o mar aos pés) com almoço de tudo o que a época católica de jejum impõe (eu e a ironia ainda vamos directas para o calor do inferno!) ou seja, hamburguer, batatas fritas, copo de vinho e bolo de chocolate, ainda que acompanhados de salada porque adoro verdes ( e sempre em boa companhia)!
Temo por mim. Muito. Temo pelas minhas ancas!!!!!! (sim que o colestrol, como não o vejo, não me assusta, eheheh)
Pecadora me confesso, mas soube tãooooo bem.
(Adenda- Sr. PTzinho do meu coração, meu riquinhooooo, coisa boa, é tudo mentira! Eu juro que só comi uma fatia de bolo dada por si e bebi água, muita água. Nada mais entrou nesta boquinha santa! Não seja mauuuuuu com a menina, tá bem??)
sexta-feira, 6 de março de 2009
the one that i want, ooh, ooh, ooh
"I got chills, they're multiplyin, and I'm losin control
Cause the power you're supplyin', it's electrifyin"
You're the one that I want
John Travolta & Olivia Newton-John
Cause the power you're supplyin', it's electrifyin"
You're the one that I want
John Travolta & Olivia Newton-John
Esclarecimento :)
Vamos lá a ver se eu consigo explicar sem ter de recorrer ao desenho (até porque desenho tão mal que continuariam sem perceber na mesma!).
Quando eu falo em vontade, falo do seguinte:
- Vontade pura e dura, lasciva, carnal. Aquela contracção quando um aroma, umas pernas bem torneadas, uma barriga luxuriosa, ou qualquer coisa do género faz pensar “Ó bebé anda cá, que eu dou-te colinho, dou!”. Essa vontade “animal”.
- Vontade que nasce porque há borboletas na barriga que se transformam em pensamento e, de repente, queremos.
Qualquer uma destas vontades serve. Se forem as duas ao mesmo tempo, combinadas num único ser, então é a p***a da loucura!
Por isso, não tem nada a ver com falsas questões morais, até porque moral e a minha pessoa é quase uma contradiction in terms.
Agradeço a constante preocupação, mas é isto e estou bem confortável nesta maneira de pensar/ser.
Agora é assim, amanhã logo se vê.
Quando eu falo em vontade, falo do seguinte:
- Vontade pura e dura, lasciva, carnal. Aquela contracção quando um aroma, umas pernas bem torneadas, uma barriga luxuriosa, ou qualquer coisa do género faz pensar “Ó bebé anda cá, que eu dou-te colinho, dou!”. Essa vontade “animal”.
- Vontade que nasce porque há borboletas na barriga que se transformam em pensamento e, de repente, queremos.
Qualquer uma destas vontades serve. Se forem as duas ao mesmo tempo, combinadas num único ser, então é a p***a da loucura!
Por isso, não tem nada a ver com falsas questões morais, até porque moral e a minha pessoa é quase uma contradiction in terms.
Agradeço a constante preocupação, mas é isto e estou bem confortável nesta maneira de pensar/ser.
Agora é assim, amanhã logo se vê.
quinta-feira, 5 de março de 2009
História
Era uma vez uma princesa. Tinha uma pele de um bonito castanho dourado, olhos azuis e boca vermelha, onde todos as manhãs punha baton cor-de-rosa.
Um dia a princesa, ao passear muito longe de casa, encontrou um príncipe. O príncipe tinha um bonito fato verde, porque era do Sporting e o verde era a sua cor preferida.
Assim que se viram, os olhos caíram, e eles apaixonaram-se.
Passaram dias e dias a brincar. Adoravam brincar às escondidas, atrás das àrvores, debaixo das flores ou por detrás das cascatas onde viviam as ninfas, que estavam sempre ocupadas a tirar o lixo que os homens deitavam na àgua.
Um dia a princesa reparou que o sol já se tinha posto e nascido muitas vezes e que tinha de ir a casa, porque os pais e os irmãos já deviam estar preocupados.
O príncipe ficou muito triste e pediu para ela voltar o mais rápido possível, porque já estava com saudades.
A princesa prometeu que regressaria daí a três dias. Ele só tinha de contar três vezes o cantar do galo Badalo. Mas o pior aconteceu, e assim que a princesa chegou a casa, caiu nas escadas de entrada e ficou como que adormecida.
O príncipe esperou, esperou e esperou. De vez em quando brincava com os amigos e amigas, mas sempre a olhar para o caminho à espera da princesa.
De tanto esperar, transformou-se num sapo e ficou preso num nenúfar. Chorava lágrimas com pedras pretas que se transformaram numa ponte até à margem do lago.
Entretanto, um dos irmãos da princesa, o que tinha a cabeça grande e azul, foi chamar uma fada que acordou a princesa que ficou aflita por ainda não ter voltado.
Ela foi a correr mas não encontrou o principe, até que viu no lago, um sapo, que tinha a mesma cor do fato do principe. Atravessou a ponte e foi ter com o sapo para lhe perguntar se era ele. O sapo disse que sim, mas que de tanto esperar tinha ficado com os pés presos. A princesa disse que não fazia mal, que ia ficar ali ao lado dele, até os pés dela serem algas e poderem mergulhar os dois. E ficaram, felizes os dois.
(História escrita a duas bocas e quatros mãos! A primeira da Mãe e da Diaba. A Mãe com as coisas fofinhas, a Diaba com o absurdo!!!!!!!
Um dia a princesa, ao passear muito longe de casa, encontrou um príncipe. O príncipe tinha um bonito fato verde, porque era do Sporting e o verde era a sua cor preferida.
Assim que se viram, os olhos caíram, e eles apaixonaram-se.
Passaram dias e dias a brincar. Adoravam brincar às escondidas, atrás das àrvores, debaixo das flores ou por detrás das cascatas onde viviam as ninfas, que estavam sempre ocupadas a tirar o lixo que os homens deitavam na àgua.
Um dia a princesa reparou que o sol já se tinha posto e nascido muitas vezes e que tinha de ir a casa, porque os pais e os irmãos já deviam estar preocupados.
O príncipe ficou muito triste e pediu para ela voltar o mais rápido possível, porque já estava com saudades.
A princesa prometeu que regressaria daí a três dias. Ele só tinha de contar três vezes o cantar do galo Badalo. Mas o pior aconteceu, e assim que a princesa chegou a casa, caiu nas escadas de entrada e ficou como que adormecida.
O príncipe esperou, esperou e esperou. De vez em quando brincava com os amigos e amigas, mas sempre a olhar para o caminho à espera da princesa.
De tanto esperar, transformou-se num sapo e ficou preso num nenúfar. Chorava lágrimas com pedras pretas que se transformaram numa ponte até à margem do lago.
Entretanto, um dos irmãos da princesa, o que tinha a cabeça grande e azul, foi chamar uma fada que acordou a princesa que ficou aflita por ainda não ter voltado.
Ela foi a correr mas não encontrou o principe, até que viu no lago, um sapo, que tinha a mesma cor do fato do principe. Atravessou a ponte e foi ter com o sapo para lhe perguntar se era ele. O sapo disse que sim, mas que de tanto esperar tinha ficado com os pés presos. A princesa disse que não fazia mal, que ia ficar ali ao lado dele, até os pés dela serem algas e poderem mergulhar os dois. E ficaram, felizes os dois.
(História escrita a duas bocas e quatros mãos! A primeira da Mãe e da Diaba. A Mãe com as coisas fofinhas, a Diaba com o absurdo!!!!!!!
Tasmanices XIV
Ao falar sobre o porque da demora em dormir, da resistência a fechar os olhos:
Diaba- Ó Mãe, é por causa dos pesadelos.
Mãe- Mas que pesadelo filha? Ainda não tinhas dormido
Diaba- Por causa do pesadelo com a bola de berlim gigante. Era uma bola de berlim e rebolava, rebolava atrás de mim...
(Eu sei que não se faz, mas não consegui parar de rir)
Enquanto ouvíamos música, eu dançava.
Diaba - Ó Mãe, pára de abanar o rabinho, quer dizer o rabão, que ele é grande!
(Pronto, já parei de rir e ela vai ficar de castigo até aos 60 anos!)
Diaba- Ó Mãe, é por causa dos pesadelos.
Mãe- Mas que pesadelo filha? Ainda não tinhas dormido
Diaba- Por causa do pesadelo com a bola de berlim gigante. Era uma bola de berlim e rebolava, rebolava atrás de mim...
(Eu sei que não se faz, mas não consegui parar de rir)
Enquanto ouvíamos música, eu dançava.
Diaba - Ó Mãe, pára de abanar o rabinho, quer dizer o rabão, que ele é grande!
(Pronto, já parei de rir e ela vai ficar de castigo até aos 60 anos!)
quarta-feira, 4 de março de 2009
Beijos (que confirmam)
Meus beijos choverão na tua boca oceânica
primeiro um por um como uma fileira de gotas pesadas
gotas doces largas quando a chuva começa
e que rebentam como cravos de sombra
para logo todos juntos
se afundarem na tua gruta marinha
jorros dos beijos surdos que entram até o teu fundo
perdendo-se como jorros no mar
na tua boca oceânica e quente
beijos macios largos como o peso da massa
beijos escuros como os túneis de onde não se sai vivo
deslumbrantes como um surto de fé
sentidos como algo que te arranca (…)
Beijarei as tuas faces
os teus maxilares de estátua da argila adónica
a tua pele que se rende sob os meus dedos
para que eu modele um rosto da carne compacta idêntico ao teu
Beijarei os teus olhos maiores do que tu
Maiores que nós juntos, maiores que a vida e a morte
olhos de cor da suavidade
de olhar assombroso, como encontramo-nos numa rua connosco
como encontramo-nos diante de um abismo
que nos obriga a dizer quem somos
teus olhos em cujo fundo vives tu (…)
os teus olhos que tu não conheces
que olham como um grande golpe atordoante
que me perturbam e me obrigam a calar e a levar-me sério (…)
Beijarei também o teu pescoço liso e vertiginoso como um brinquedo imóvel
beijarei a tua garganta onde a vida se enlaça como uma fruta que pode ser mordida
a tua garganta onde se pode morder a amargura
e onde o sol, no estado líquido, circula na tua voz e nas tuas veias
como um conhaque leve e cheio de electricidade
Beijarei os teus ombros frágeis e construídos como a cidade de Florença
e os teus braços fortes como um caudal de um rio (…)
e as tuas mãos lisas e boas como colheres de madeira
as tuas mãos incitadoras de febre
ou suaves como o regaço da mãe do assassino
tuas mãos que acalmam como a dizer que a bondade existe.
Eu beijarei teus peitos mais mornos do que a convalescença (…)
teus peitos largos como uma paisagem escolhida definitivamente
Inesquecíveis como o pedaço de terra onde nos irão enterrar
quentes como o desejo de viver
com mamilos de milagre em doce pinos
que são a ponta onde, de repente, termina
a força da vida e das suas renovações
teus mamilos em botão para prender o paraíso
Eu beijarei o teu ventre firme como o planeta terra
teu ventre da planície que emergiu do caos
da praia rumorosa
do descanso para a cabeça do rei após ter entrado no revestimento
teu ventre misterioso berço desesperado da noite
remoinho da rendição e do deslumbrante suicídio (…)
teu ventre contraído que se endureceu como uma memória abrupta
e ondula como as colinas
e bate como as ondas mais profundas do mar e do oceano
teu ventre cheio de entranhas de altas temperaturas (…)
teu ventre incalculavelmente bonito
vale no meio de ti e no meio do universo
no meio do meu pensamento
no meio de meu beijo auroral (…)
Eu beijarei o teu sexo terrível
escuro como um sinal cujo o nome não pode ser dito sem trauteado
como uma cruz que marca o centro dos centros
teu sexo de sal preto
de flor nascida antes do tempo
delicado e perverso como o interior das conchas
mais profundo do que a cor vermelha
teu sexo de doce inferno vegetal
excitante como perder o sentido
aberto como a semente do mundo
teu sexo de perdão para o culpado
da dissolução da amargura e do mar hospitaleiro
e da luz e do conhecimento
da luta do amor até a morte, à volta das estrelas
da profundidade da tontura da viagem entre sonhos
da magia preta do leite encantado
da inclinação delicada do encadeamento das ideias
de brilho para fundir a vida e a morte
da galáxia em expansão
teu triângulo sagrado do sexo eu beijarei
Eu beijarei, beijarei
até fazer com que tu te inflames
como uma luz de papel que flutua louca na noite."
Besos, Tomás Segovia
primeiro um por um como uma fileira de gotas pesadas
gotas doces largas quando a chuva começa
e que rebentam como cravos de sombra
para logo todos juntos
se afundarem na tua gruta marinha
jorros dos beijos surdos que entram até o teu fundo
perdendo-se como jorros no mar
na tua boca oceânica e quente
beijos macios largos como o peso da massa
beijos escuros como os túneis de onde não se sai vivo
deslumbrantes como um surto de fé
sentidos como algo que te arranca (…)
Beijarei as tuas faces
os teus maxilares de estátua da argila adónica
a tua pele que se rende sob os meus dedos
para que eu modele um rosto da carne compacta idêntico ao teu
Beijarei os teus olhos maiores do que tu
Maiores que nós juntos, maiores que a vida e a morte
olhos de cor da suavidade
de olhar assombroso, como encontramo-nos numa rua connosco
como encontramo-nos diante de um abismo
que nos obriga a dizer quem somos
teus olhos em cujo fundo vives tu (…)
os teus olhos que tu não conheces
que olham como um grande golpe atordoante
que me perturbam e me obrigam a calar e a levar-me sério (…)
Beijarei também o teu pescoço liso e vertiginoso como um brinquedo imóvel
beijarei a tua garganta onde a vida se enlaça como uma fruta que pode ser mordida
a tua garganta onde se pode morder a amargura
e onde o sol, no estado líquido, circula na tua voz e nas tuas veias
como um conhaque leve e cheio de electricidade
Beijarei os teus ombros frágeis e construídos como a cidade de Florença
e os teus braços fortes como um caudal de um rio (…)
e as tuas mãos lisas e boas como colheres de madeira
as tuas mãos incitadoras de febre
ou suaves como o regaço da mãe do assassino
tuas mãos que acalmam como a dizer que a bondade existe.
Eu beijarei teus peitos mais mornos do que a convalescença (…)
teus peitos largos como uma paisagem escolhida definitivamente
Inesquecíveis como o pedaço de terra onde nos irão enterrar
quentes como o desejo de viver
com mamilos de milagre em doce pinos
que são a ponta onde, de repente, termina
a força da vida e das suas renovações
teus mamilos em botão para prender o paraíso
Eu beijarei o teu ventre firme como o planeta terra
teu ventre da planície que emergiu do caos
da praia rumorosa
do descanso para a cabeça do rei após ter entrado no revestimento
teu ventre misterioso berço desesperado da noite
remoinho da rendição e do deslumbrante suicídio (…)
teu ventre contraído que se endureceu como uma memória abrupta
e ondula como as colinas
e bate como as ondas mais profundas do mar e do oceano
teu ventre cheio de entranhas de altas temperaturas (…)
teu ventre incalculavelmente bonito
vale no meio de ti e no meio do universo
no meio do meu pensamento
no meio de meu beijo auroral (…)
Eu beijarei o teu sexo terrível
escuro como um sinal cujo o nome não pode ser dito sem trauteado
como uma cruz que marca o centro dos centros
teu sexo de sal preto
de flor nascida antes do tempo
delicado e perverso como o interior das conchas
mais profundo do que a cor vermelha
teu sexo de doce inferno vegetal
excitante como perder o sentido
aberto como a semente do mundo
teu sexo de perdão para o culpado
da dissolução da amargura e do mar hospitaleiro
e da luz e do conhecimento
da luta do amor até a morte, à volta das estrelas
da profundidade da tontura da viagem entre sonhos
da magia preta do leite encantado
da inclinação delicada do encadeamento das ideias
de brilho para fundir a vida e a morte
da galáxia em expansão
teu triângulo sagrado do sexo eu beijarei
Eu beijarei, beijarei
até fazer com que tu te inflames
como uma luz de papel que flutua louca na noite."
Besos, Tomás Segovia
Leizinhas
Em conversas com um colega/amigo que se vai embora surge a lapidar frase “não se volta a pessoas nem a sítios onde já fomos felizes”.
Eu, que tenho sempre opinião sobre tudo, não concordo!
Aliás tenho dificuldade em lidar com ideias feitas, preconceitos pré estabelecidos, “leizinhas” pré definidas, em “deve ser assim”. Tenho dificuldade em “mas já se sabe que assim não resulta” e coisas que tais. Cada caso é um caso, cada pessoa é uma pessoa e nessa coisa de fronteiras e balizas cada um sabe de si.
Volta-se sim, a pessoas e a lugares. O que acho que é um erro é achar que vai ser igual. Isso nunca poderá ser, porque o tempo já não é o mesmo. Mas o ser diferente não é necessariamente pior. Pode ser igualmente bom ou até melhor.
Já voltei a pessoas, porque o sentimento fazia sentido e fui na mesma feliz, de forma diferente, mas feliz. Farto-me de voltar a sítios onde já fui e onde volto a ser, e onde descubro coisas novas, porque os olhares são diferentes.
Seja como for isso sou eu, o que me incomoda mesmo é esta coisa definida como lei. Só porque acho que a vida é tão mais gira quando nos esvaziamos disso e deixamos que tudo possa acontecer.
Eu, que tenho sempre opinião sobre tudo, não concordo!
Aliás tenho dificuldade em lidar com ideias feitas, preconceitos pré estabelecidos, “leizinhas” pré definidas, em “deve ser assim”. Tenho dificuldade em “mas já se sabe que assim não resulta” e coisas que tais. Cada caso é um caso, cada pessoa é uma pessoa e nessa coisa de fronteiras e balizas cada um sabe de si.
Volta-se sim, a pessoas e a lugares. O que acho que é um erro é achar que vai ser igual. Isso nunca poderá ser, porque o tempo já não é o mesmo. Mas o ser diferente não é necessariamente pior. Pode ser igualmente bom ou até melhor.
Já voltei a pessoas, porque o sentimento fazia sentido e fui na mesma feliz, de forma diferente, mas feliz. Farto-me de voltar a sítios onde já fui e onde volto a ser, e onde descubro coisas novas, porque os olhares são diferentes.
Seja como for isso sou eu, o que me incomoda mesmo é esta coisa definida como lei. Só porque acho que a vida é tão mais gira quando nos esvaziamos disso e deixamos que tudo possa acontecer.
terça-feira, 3 de março de 2009
(Des)encontros
Chegámos aqui. Ao ponto côncavo dos lugares comuns, porque iguais a tantos outros, ou estranhos por nunca cá termos estado, mas comuns. Chegámos aqui. Ao lugar onde as palavras são o que são, grandes mas vazias de acção, palavras que não são verbos. Chegámos aqui, ao ponto onde nada se faz. Ao ponto de onde se podia partir para qualquer coisa, para todas as ruelas do amor, avenidas largas ou caminhos de pedra, para todos os desvios da vida, em cruzamentos múltiplos de opções, mas onde o “Vou” não faz mexer os pés, que teimosamente se tornaram raízes.
Chegámos aqui onde nada mais vai acontecer do que aquilo que já é, porque a uns os passos se tolhem e não andam e a outros esta paragem faz ter vontade de correr para que venham, tal como um jogo da apanhada, ver por onde correm sem haver o ponto de descanso, olhando por cima do ombro para ver se alguém vem. Mas não vem.
Chegámos aqui e o caminho separa-se. O lado a lado em qualquer estrada passa a ser estradas paralelas, lado a lado, mas em passeios diferentes, para que se possa caminhar sempre em frente. Lado a lado, mas em passeios diferentes porque chegámos ao ponto em que não há verbos como correr (para ti).
Chegámos aqui onde nada mais vai acontecer do que aquilo que já é, porque a uns os passos se tolhem e não andam e a outros esta paragem faz ter vontade de correr para que venham, tal como um jogo da apanhada, ver por onde correm sem haver o ponto de descanso, olhando por cima do ombro para ver se alguém vem. Mas não vem.
Chegámos aqui e o caminho separa-se. O lado a lado em qualquer estrada passa a ser estradas paralelas, lado a lado, mas em passeios diferentes, para que se possa caminhar sempre em frente. Lado a lado, mas em passeios diferentes porque chegámos ao ponto em que não há verbos como correr (para ti).
Bloqueio
Parece estranho ter ficado estes dias seguidos sem vir aqui escrever.
Muitos textos foram elaborados, mentalmente, frase por frase, concordâncias gramaticais, tudo, mas nenhumm passou para o "papel". Estão todos aqui, na minha cabeça.
Podia escrever sobre o aniversário da Diaba, sobre a alegria de ser Mãe, sobre ter descoberto como é ver o amor crescer todos os dias, como é aprender a viver com medo todos os dias. Podia escrever sobre como foi o dia de nascimento dela, a minha Mãe a sorrir e a ver que, ainda que faltassem duas semanas, ela ia nascer naquele dia, o Pai da Diaba a rir de felicidade, sem acreditar muito bem que ia ser naquele dia. Podia, mas preferi contar-lhe, como quem conta uma história de encantar.
Podia escrever como o que mais queria, neste momento, era poder soprar a angústia do peito que é mais que meu sangue. Transformar essa angústia em borboletas esvoaçantes e bonitas. Como peço todos os dias por ela, por aquele coração maior que tudo, que tudo abarca e todos abraça. Podia escrever como sei que vai tudo correr bem, porque ela merece que assim seja, e os erros são como soluços, aparecem sem esperarmos por eles, mas depois desaparecem, e quando reconhecemos os erros com bondade isso ajuda-nos a melhorar.
Podia escrever como há abordagens kamikazes que nos fazem rir de tão más que são. De como entre copos e músicas encontramos quem faça harakiri sem perceber!
Podia escrever sobre "traições" que já se sabiam que o eram, mas que quando confrontadas com a verdade, sem mal entendidos, de permanência num tempo maior do que julgávamos e mais forte do que disseram, nos corroiem e amargam. Porque sempre foi defendida a verdade como lei e ela só foi meia lei ou meia verdade.
Podia escrever sobre isto tudo, como escrevi na minha cabeça, frase por frase.
Dou por mim a tentar, a tentar que escorra dos dedos, mas nada sai.
Muitos textos foram elaborados, mentalmente, frase por frase, concordâncias gramaticais, tudo, mas nenhumm passou para o "papel". Estão todos aqui, na minha cabeça.
Podia escrever sobre o aniversário da Diaba, sobre a alegria de ser Mãe, sobre ter descoberto como é ver o amor crescer todos os dias, como é aprender a viver com medo todos os dias. Podia escrever sobre como foi o dia de nascimento dela, a minha Mãe a sorrir e a ver que, ainda que faltassem duas semanas, ela ia nascer naquele dia, o Pai da Diaba a rir de felicidade, sem acreditar muito bem que ia ser naquele dia. Podia, mas preferi contar-lhe, como quem conta uma história de encantar.
Podia escrever como o que mais queria, neste momento, era poder soprar a angústia do peito que é mais que meu sangue. Transformar essa angústia em borboletas esvoaçantes e bonitas. Como peço todos os dias por ela, por aquele coração maior que tudo, que tudo abarca e todos abraça. Podia escrever como sei que vai tudo correr bem, porque ela merece que assim seja, e os erros são como soluços, aparecem sem esperarmos por eles, mas depois desaparecem, e quando reconhecemos os erros com bondade isso ajuda-nos a melhorar.
Podia escrever como há abordagens kamikazes que nos fazem rir de tão más que são. De como entre copos e músicas encontramos quem faça harakiri sem perceber!
Podia escrever sobre "traições" que já se sabiam que o eram, mas que quando confrontadas com a verdade, sem mal entendidos, de permanência num tempo maior do que julgávamos e mais forte do que disseram, nos corroiem e amargam. Porque sempre foi defendida a verdade como lei e ela só foi meia lei ou meia verdade.
Podia escrever sobre isto tudo, como escrevi na minha cabeça, frase por frase.
Dou por mim a tentar, a tentar que escorra dos dedos, mas nada sai.
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